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title: "Introdução ao silogismo"

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date: "2026-05-19"
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tags: ["philosophy", "logic"]
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## Introdução

O silogismo é um artifício esquemático que Aristóteles inventou para analisar e testar o raciocínio dedutivo. Ele raciocina a partir de afirmações ou proposições, que são chamadas de premissas.

Nos silogismos categóricos podemos usar o quadrado de oposições para classificar as proposições categóricas em:

- A proposição A (ex.: todos os homens são mortais) é uma afirmação universal.
- A proposição E (ex.: nenhum homem é mortal) é uma negação universal.
- A proposição I (ex.: alguns homens são mortais) é uma afirmação particular.
- A proposição O (ex.: alguns homens não são mortais) é uma negação particular.

Observando estas categorias podemos classificar as proposições da argumentação tanto em relação a quantidade (universal ou particular), quanto em relação a qualidade (afirmativa ou negativa).
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![Quadrado de oposições](/post-images/introducao-ao-silogismo/quadrado-de-oposicoes.png "Quadrado de oposições")

Ao classificar proposições, a dificuldade não está em determinar a qualidade de uma proposição, mas a quantidade. Qual é a quantidade, por exemplo, de uma proposição com nome próprio como sujeito? Por exemplo: "John Smith é mortal". Parece que, uma vez que estamos afirmando algo sobre uma pessoa particular, a proposição deve ser particular. A maioria dos lógicos, entretanto, classificaria essa proposição como uma afirmação universal, porque a mortalidade é o predicado de todo o sujeito da mesma forma que na proposição "todos os homens são mortais" a mortalidade é o predicado de toda a classe de homens.

## Relações das proposições no quadrado de oposições

Eis as deduções válidas que podemos fazer a partir das várias proposições:

1. Se a proposição A é verdadeira, a proposição I tem de ser verdadeira; da mesma forma, se a proposição E é verdadeira, a proposição O tem de ser verdadeira.

Se é verdade que todos os homens são mortais, segue-se logicamente que alguns homens são mortais. E se é verdade que nenhum homem é mortal, é igualmente verdade que alguns homens não são mortais.
2. Se a proposição I é verdadeira, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição A; da mesma forma, se a proposição O é verdadeira, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição E.

Se determinarmos que alguns homens são mortais, não podemos inferir desse fato que todos os homens são mortais. Em outras palavras, não podemos inferir a verdade da proposição universal a partir da proposição particular; temos que provar a verdade da proposição universal.
3. Se a proposição A é verdadeira, a proposição E é falsa; da mesma forma, se a proposição E é verdadeira, a proposição A é falsa.

Sabemos, a priori, que se uma das proposições contrárias for verdadeira, a outra será necessariamente falsa. O bom senso nos diz que, se todos os homens são mortais, a proposição contrária, "nenhum homem é mortal" deve ser falsa.
4. Se a proposição A é falsa, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição E; da mesma forma, se a proposição E é falsa, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição A.

Embora, como vimos em (3), as proposições contrárias não possam ser ambas verdadeiras, ambas podem ser falsas. Portanto, se a proposição "nenhum homem é mortal" é falsa, não podemos concluir que todos os homens são mortais. Essa proposição também pode ser falsa.
5. No caso de proposições contraditórias (A e O; E e I), uma delas deve ser verdadeira e a outra falsa. Consequentemente, estas são as deduções válidas que podemos fazer sobre as proposições opostas diagonalmente no quadrado de oposições:

a. $$\text{A} \rightarrow \neg \text{O}$$

b. $$\neg \text{A} \rightarrow \text{O}$$

c. $$\text{O} \rightarrow \neg \text{A}$$

d. $$\neg \text{O} \rightarrow \text{A}$$

e. $$\text{E} \rightarrow \neg \text{I}$$

f. $$\neg \text{E} \rightarrow \text{I}$$

g. $$\text{I} \rightarrow \neg \text{E}$$

h. $$\neg \text{I} \rightarrow \text{E}$$

A lei das contradições parte do princípio de que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Essa lei desempenha um papel important como um dos meios de prova lógica no discurso persuasivo.
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6. Se a proposição I é verdadeira, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição O; da mesma forma, se a proposição O é verdadeira, nenhuma dedução pode ser feita sobre a proposição I.

Se a proposição I é falsa, a proposição O é verdadeira; da mesma forma, se a proposição O é falsa, a proposição I é verdadeira.
7. As proposições I e O podem ser ambas verdadeiras, mas não podem ser ambas falsas.

## Silogismo categórico

O silogismo categórico é constituído de três termos:

- O termo maior é o termo predicado da conclusão.
- O termo menor é o termo sujeito da conclusão.
- O termo médio é o termo que aparece em ambas as premissas, mas não aparece na conclusão.

Por exemplo:

- **P1:** Todos os homens são mortais.
- **P2:** Sócrates é homem.
- **C:** Logo, Sócrates é mortal.

Neste caso temos:

- **Termo maior:** "mortais".
- **Termo menor:** "Sócrates".
- **Termo médio:** "homem/homens".

## Distribuição

Na lógica, distribuição significa a extensão completa de um termo para cobrir todos os objetos ou indivíduos da classe denotada. Na frase "todos os homens", diz-se que o termo homem é distribuído, porque todos designa o número total de indivíduos na classe de homens. Na frase "alguns homens", o termo homes é não-distribuído, porque alguns designa algo menos do que o número total de indivíduos na classe.
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Às vezes, chamamos o **termo distribuído** de termo universal e o termo não-distribuído de **termo particular**.

No silogismo, geralmente não temos dificuldade em determinar se o termo suheito das proposições é distribuído, porque as palavras quantitativas (todos, nenhum, alguns, a maioria), se presentes, nos dirão.
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Porém, um caso especial acontece em proposições com nome próprio. A maioria dos lógicos considera uma proposição com um nome próprio como sujeito como sendo uma proposição universal ("Sócrates é um animal racional"). Neste caso, o nome próprio é considerado um termo distribuído pois o predicado se aplica ao sujeito inteiro.

É um pouco mais difícil determinar se os termos predicados são distribuídos. Para alunos iniciantes, é bom que eles usem esta fórmula simples:

1. Os termos predicados de todas as proposições afirmativas (A ou I) são não distribuídos.
2. Os termos predicados de todas as proposições negativas (E ou O) são distribuídas.
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Essa questão de distribuição é importante porque duas regras para um silogismo válido envolvem distribuição de termos e porque grande parte das falácias no raciocínio dedutivo são resultado de uma inferência com base em termos não-distribuídos.

## Regras de um silogismo válido

1. Deve haver três e somente três termos.
2. O termo médio deve ser distribuído pelo menos uma vez.
3. Nenhuma termo pode ser distribuído na conclusão se não for distribuído nas premissas.
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4. Nenhuma conclusão pode ser tirada de duas premissas particulares (em oposição a premissas universais).
5. Nenhuma conclusão pode ser tirada de duas premissas negativas.
6. Se uma das premissas for negativa, a conclusão será negativa.

## Princípios que governam a validade do raciocínio no silogismo hipotético

Quando argumentamos na forma de uma proposição hipotética, estamos propondo que a verdade do antecedente (a oração iniciada pela conjunção se) implica a verdade do consequenet (a oração pincipal). Portanto, podemos dizer: "Se ele gosta de tocar violão, ele gosta de música". A verdade do consequente, entretanto, não implica necessariamente a verdade do antecedente: "Se ele gosta de música, ele gosta de tocar violão" não é necessariamente uma verdade.
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Usando a formalização do cálculo de predicados de primeiro grau, temos:

1. $$\text{A} \rightarrow \text{B}$$
2. $$\text{A}$$
3. $$\text{B}$$

## Princípios que governam a validade do raciocínio no silogismo disjuntivo

Usando a formalização do cálculo de predicados de primeiro grau, temos:

1. $$\text{A} \vee \neg \text{A}$$
2. $$\text{A}$$

Ou:

1. $$\text{A} \vee \neg \text{A}$$
2. $$\neg \text{A}$$

## Artigos relacionados

- [On absolute truth](https://gaio.dev/posts/2026-03-14-on-absolute-truth)

## Referências

- [1] Corbett, Edward P. J.. Retórica clássica para o estudante moderno. 1st ed., Editora Kírion, 2022. Amazon [link](https://www.amazon.com.br/Ret%C3%B3rica-cl%C3%A1ssica-para-estudante-moderno/dp/6587404553).
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